O IP Anycast é uma das técnicas usadas para tornar serviços acessíveis por diferentes nós de rede. Pode melhorar a resposta e a resiliência em certos cenários, mas o resultado depende do roteamento e da operação.
O IP Anycast anuncia um mesmo endereço a partir de diferentes nós. O roteamento encaminha cada solicitação conforme a topologia e as políticas da rede; o nó escolhido não é necessariamente o mais próximo em distância física. Essa arquitetura pode reduzir latência e ampliar resiliência quando há capacidade e operação adequadas. RFC 4786.
Aplicativos de vídeo, mensagens e serviços financeiros dependem de redes distribuídas. Ao longo do tempo, mais capacidade de transmissão, melhores interconexões e distribuição de serviços ajudaram a reduzir atrasos. O Anycast participa dessa arquitetura ao permitir que vários nós anunciem o mesmo endereço.
Mais capacidade e melhores caminhos de rede viabilizaram aplicações como vídeo e conferências em tempo real. Ainda assim, uma boa experiência depende de servidores, protocolos e interconexões, além da velocidade do acesso do usuário.
A solução para esse tipo de problema foi uma combinação de várias dessas tecnologias de rede, das quais uma das mais notáveis é a comutação de pacotes. Essa expressão se refere ao agrupamento de dados em “pacotes” formados por duas partes principais. A primeira é um cabeçalho com os dados de endereçamento para a entrega desse “pacote”, e a segunda uma “carga útil”. Em outras palavras, funciona exatamente como num envelope que você envia para alguém com um documento dentro. Nesse exemplo, os correios são a rede, que vai utilizar o endereço do envelope (o cabeçalho) para transportá-lo até o destinatário. Esse destinatário é que deverá abrir o envelope. E aqui o IP Anycast começa a ganhar destaque.
Em unicast, cada pacote tem um destino individual. Isso não exige uma conexão exclusiva entre dois dispositivos; vários fluxos podem compartilhar a mesma rede.
Por causa de sua natureza e por causa das necessidades das aplicações e usuários, no entanto, as redes oferecem diferentes “serviços de entrega”. Com o “broadcast”, elas permitem que um dispositivo envie uma mensagem a todos os outros dentro da mesma rede. Já com o “multicast”, elas endereçam mensagens (na verdade, pacotes de dados) para grupos de dispositivos.
Tudo isso é razoavelmente simples quando se trata de uma rede local, na qual os dispositivos estão todos numa mesma casa, num mesmo prédio, numa mesma loja. Mas quando a rede que estamos discutindo está distribuída numa grande área geográfica (por exemplo uma WAN ou wide area network), outros problemas surgem e precisam ser resolvidos. E se estivermos falando de Internet, então, tanto maiores os problemas.
A latência é o tempo decorrido na comunicação entre origem e destino. Distância, processamento, congestionamento e políticas de roteamento afetam esse tempo; proximidade física, sozinha, não determina a resposta mais rápida.
Serviços com usuários em várias regiões podem operar nós distribuídos para reduzir o caminho até uma resposta. A distância física e o número de saltos são apenas parte da história: políticas de roteamento, congestionamento e disponibilidade do conteúdo também afetam a latência.
No IP Anycast, diferentes nós anunciam o mesmo endereço. Os roteadores escolhem o caminho de acordo com suas rotas e políticas, não apenas pela distância geográfica ou pelo menor número de saltos. Uma rede de distribuição de conteúdo pode usar Anycast para alcançar um nó que atende à solicitação, desde que esse nó tenha o conteúdo ou possa obtê-lo. RFC 4786 · RFC 7094.
A presença de nós em diferentes locais pode repartir a carga e ajudar a manter um serviço acessível diante de falhas ou ataques. O resultado depende da capacidade de cada nó, do roteamento e da operação. Anycast, por si só, não identifica bots nem filtra tráfego malicioso: essas funções exigem mecanismos adicionais de detecção e mitigação. RFC 4786.